Seu nome

Quarto em Nova York, 1932 – Edward Hopper

por Ana Karina Manson

Ela não ousou dizer seu nome como se ao fazê-lo, denunciaria a si mesma.

Foi assim.

À pergunta de qual era o nome do novo amigo, ela se calou, disse qualquer coisa, desconversou, o que podia dizer, menos o nome, como se ao dizê-lo já seria um pecado, já seria dele. Como se o nome em sua boca fosse ele próprio dentro dela como ela tanto o desejava.

Mas não podia dizê-lo, não podia convidá-lo para uma visita em sua casa, não podia abrir a porta e dizer “entre”.

A porta trancada, a casa fechada, vazia, sozinha, mas impedida de recebê-lo, de pronunciá-lo.

Foi assim. E ela, após palavras vãs, voltou para o lado de dentro, trancou-se em si e sussurrou bem baixinho seu nome. Ele já a possuía.

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