E os assassinos caminham livremente!

por Ana Karina Manson

E hoje? Será quem? Um conhecido, um familiar, um famoso, um amigo do amigo de infância? Todos os dias o relógio desperta e um anúncio se aproxima… Eu sei: a qualquer dia, a qualquer hora vai doer em lugares inimagináveis. Saudades se acumulam e não há solução, remédio, vacina.

Dói a certeza do partir
Longe, aqui, daqui a pouco
Dói a minha e a outra dor
Dores que se misturam, sangram

Quem perde
Quem não consegue evitar a perda
Quem vai
Quem fica.

Dói em todo o canto do corpo
Em todo canto do mundo
Dói que chega a enjoar o estômago.

Dói a dúvida do ‘nunca mais’
Nunca mais seu sorriso subindo degraus?
Seus cachinhos entre meus dedos?
Respira, respiro.
Dá tempo de perdoar?
De ser perdoada?
Até quando haverá vida?
3000 homicídios por dia!
Corpos se empilham
Na pirâmide da desigualdade!
Mata-se com tantas armas
Morre-se de tantas dores
E assassinos caminham livremente!

Afogam-se deitados nas próprias camas secas
Paredes frias testemunham fins
Despedidas de ninguém
E assassinos caminham livremente!
Presos em seus quartos, leitos
Em sonhos desfeitos
Presos no medo do não-amanhã
Presos, solitários, dilacerados 

E os assassinos?
Caminham livremente.

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