Deus dos que matam os que tem fome.

Foto: Victor Moriyama – Greenpeace

-Mara Esteves

28 de fevereiro.

Último dia de um mês que o ritual da catarse carnavalesca não veio. Sinto que sem o carnaval não há quaresma. Não há redenção e nem o equilíbrio entre o profano e o sagrado. Parece até que Deus nos abandonou. Ou pior, desistiu de nós.

Custa muito acreditar que o todo poderoso, tenha nos abandonado assim, à mingua, carregando a cruz da fome, da falta do amanhã, vagando no silêncio das horas. Enquanto um falso messias, goza dos privilégios do poder e desfila em plena muvuca de capangas, sem máscaras, mostrando sua face mais diabólica, bravando ser o representante mor deste país.

Peço perdão a Deus e ao Diabo, já que tamanha maldade, só pode ser obra da insensatez humana.

Na cultura popular, é constantemente usada a face de Deus para representar o bem, e do Diabo como o guardião das terras infernais. Porém a face do bem e do mal, não é tão simplista assim reconhecer no cotidiano. É quase um super poder, saber distinguir qual caminhar, cada passo em terra está mirando. Pode-se, no intento do bem, um passo em falso, te levar as profundezas do seu próprio inferno. E neste momento, acredito que há muitas pessoas se arrependendo ( se Deus quiser!), desde 2016.

Tenhamos todos muita atenção com os falsos cristãos. Que ostentam um Deus usado no marketing político e de instrumento para um poder maquiavélico, como escudo sagrado de uma das pessoas mais responsável por tantas mortes e perversidades que acontecem atualmente, no Brasil. E para isso, Dante Milano profetizou, no poema Salmo Perdido publicado em 1948:

Salmo Perdido

“Creio num deus moderno,
Um deus sem piedade,
Um deus moderno, deus de guerra e não de paz.

Deus dos que matam, não dos que morrem,
Dos vitoriosos, não dos vencidos.
Deus da glória profana e dos falsos profetas.

O mundo não é mais a paisagem antiga,
A paisagem sagrada
.

Cidades vertiginosas, edifícios a pique,
Torres, pontes, mastros, luzes, fios, apitos, sinais.
Sonhamos tanto que o mundo não nos reconhece mais,
As aves, os montes, as nuvens não nos reconhecem mais,
Deus não nos reconhece mais”.

Este poderia ser o Deus, dos que matam os que tem fome.

2 comentários em “Deus dos que matam os que tem fome.

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