Chi Kung

~Por Raíssa Padial Corso

Todos os movimentos indicam para a direita, logo mais a esquerda. 

Se acalme que tudo tem múltiplos lados, 

a ignorância é o que mais se pende. 

Não querer saber é o que detém uma grande fatia populacional, 

não saber que quer saber foi o “presente” colonial. 

Esquecer que a mão sabe escrever é 

uma blasfemia com os movimentos. 

O movimento pendia VA-GA-RO-SA-MEN-TE,

era o cisne, a respiração demorada, 

alongaaaaaaada, abria camadas neuronais de percepção,

o TAO do Chi. 

Acontecendo como sempre acontece, 

expandindo, expandindo, expandindo… 

O queixo desce ao peito, o timo,

tum, tum, tum, tum, tum, tum,

 vibração contínua, 

abrindo espaço para melhor vibrar. 

O ritmo para mim, 

sempre foi a lei mais difícil de se abstrair.  

Para compreender por onde essa vasta mente anda, 

há de se ter ritmo. 

Minhas ondas abrigam muitos passos, rotações, 

planos paralelos… 

O pé deve se levantar lentamente,

a  perna esquerda flexionada.

Se concentrar apenas nisso,

 na lomba vem subindo um calor. 

Chi, chi, chi, chi, chi,chi. 

Exatamente as oito horas da manhã vem um extrondo, 

sonoro, quase imperceptível, 

são portas de lojas que criam uma frequência, 

como efeito dominó os carros aceleram, 

consequentemente mais fechadas,

 consequentemente mais buzinas, 

uma sinfonia absurda,

é o bom dia da cidade!

As avenidas do Campo Limpo bombeiam vida eterna;  

os bares e seus cumprimentos de nunca fechar 

atingem suas metas mensais,

de mais piscadas no olho, coração acelerado… 

Respire com o diafragma… 

Os movimentos devem pender como dança bêbada, pelicano. 

Quem poderia fluir melhor que o bêbado desencanado? 

A testa vibra e se vê o infinito. 

Como é perigoso estar confortável no próprio corpo.

Como é perigoso ser um martelo de padrões. 

Respire, levantando os braços para cima. 

O grilo é o clamor de toda a floresta. 

A floresta te chama a todo instante, 

sonares de passáros estão avisando a muito tempo, 

concordaram com a trama antes de nós. 

Vão cantando e se misturando,

 são resistências nas árvores fatigadas. 

Os cães acordam com disposição, 

são guardiões da cidade,

dos portões e dos escadões. 

Fluir o Chi no Campo Limpo

 é inspirar o prana no Rosana, 

levar ao ventre novos ares, 

desintoxicar as pálpebras no Macêdonia.

A cigarra responde a caixad´agua enchendo, e a calopsita insiste em mostrar sua estabilidade, 

sua constância, mesmo engaiolada. 

Nem sempre escrever é sobre quem vai ler. 

Chegando as nove horas,

a vista já colore o peito manso, 

ganha coragens graças aos pranayamas. 

Essas coragens dão pernas para aprender a amar o caminho peregrino. 

Mesmo que bandidos apareçam insistentemente. 

Respirar é bom.  

Também sou contrabandista. 

Quais emoções você barganha? 

4 comentários em “Chi Kung

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