Redenção

Te ver ali me encarando frente a frente, olhando friamente nos meus olhos, com a mesma firmeza que pisava no chão inflou seus pulmões com ar da vaidade e simplesmente me atirou aos leões, me despindo me motejando me humilhando enfrente a multidão dos teus outros eus.

Dava pra sentir o fervor do meu sangue borbulhando e correndo veia a veia, não nego ter te entregue toda beleza de uma vida feita na espera do teu encontro, não nego a primavera febril que colheu no quintal da minha casa que tanto foi nossa um dia, nem mesmo o mais sagrado de mim, que foi consumido e sucumbido por ti. Eu cantava pra embalar o teu sono e espantar teus pesadelos, lavava teus pés calejados e cansados no fim do dia com as lagrimas colhidas do orvalho das flores e os beijava, para que soubesse que era tua bem amada uma espécie de escrava . Eu apaguei meu caminho antes do seu encontro porque tudo só fez sentido depois que coloquei meus olhos em você, eu que era parte do vento, e estive em todos os lugares, fui o escorrer do suor da pele gota por gota, ao percorrer sem fim de uma estra de terra, é que esse nosso encontro tinha hora marcada , então te reconheci no breu, em você vi todas as partes perdidas de mim , encontrei o menino Deus brincando na iris do seu olhar, ele cantava, ri ,caia ralava o joelho e contava histórias, ainda na penumbra dos teus olhar, eu vi a cura da fome a calmaria dos mares, a chuva no sertão, coloquei calmante em tuas mãos meu corpo e minha alma.

Eu não nego que fui eu quem encheu de estrelas e constelações o céu da tua boa, nem que foi você a matéria prima da minha ruína, e tantas vez também foi minha restituição, eu sempre soube que o amor é o risco da morte, é se atirar a um precipício e eu, me joguei ,corri o risco, então fui engolida por um abismo dentro de mim mesma. Eu nunca soube ao certo romper laços cheguei pensar que meu cordão umbilical tinha sido enterrado no quintal da sua casa , eu partia e sempre voltava, sempre te aceitava de volta, tantas e tantas vezes , daí ficava ali sentada atrás da porta esperando você bater pra eu abrir e te ver sorri , ha o seu sorrir, Eu já não me importava com o mau feito ou de como eu era sua roupa esfarrapada, aquela que era só usada dentro de casa pra ninguém ver, eu só ficava esperando, era constante, então você não veio e os dias passaram o vazio da casa ecoava com vozes e risos, as sombras que entravam pela janela no fim da tarde me anunciava a solidão dos dias, é , o fim de tarde, era quando você vinha apontando no começo da rua compondo as cores alaranjadas do céu me suspendia em teus braços me surpreendia com um beijo, ali eu depositava toda minha fé, minha alegria, minha tristeza , meu canso, e contemplávamos o rastro da lua, a calmaria da sua presença reluzia as luzes da cidade e tudo a minha volta se espantava com tal beleza o mundo se fez palco pra aquela fantasia, até as estrelas queriam morar dentro dos teus olhos só pra me ver te admirar, você era uma espécie de santo e eu sua devota coloca todos os dias flores frescas colhidas do paraíso em seu alta.

Acontece que amor não se coloca em vitrine nem se habita em manifestações desacerbadas, palavras muito bem ensaiadas, textos copiados de livros e cenas de filmes, amor, amor é dentro da gente, eu não só comi a maçã como beijei a boca serpente , e nessa ideia utópica de quem ele se fazia ser, foi exporguindo o pouco de vida que restava em mim. Nas sombras do meu quatro encontrei companhia, e sentia arder na pela o sussurrar, a agonia das autoras elas eram infindáveis, passei trocar a noite pela dia, porque dentro da noite em claro quase não se ouve sons de carros, passos, a vida é mais contida, parece que dentro da noite não existe alegria, existem sobrevidas como a minha se fazia, eu adormecia durante dia pra não me afobar ao pensar na sua rotina, nem no desespero que dava quando eu olhava pros quatro cantos do mundo e nada mudava, e você não chegava , e aquilo dentro de mim fazia cortes finos que nunca se fechavam, sangravam pareciam me castigar me punir, eu fiquei cada dia menor dentro das minhas vestes, clamei o perdão dos homens, desafiei Deus e amaldiçoei o Diabo.

Entretanto te ver me negando cuspindo fora da boa a minha saliva, foi o renascer da minha vida, eu protegi tua mentira, tua vergonha, mais o pulsar do seu coração tem meu sangue, no teu corpo tem meu DNA, eu que dei o sopro da vida, eu que te ensinei cantar, porque fui tua voz, lápis e caneta pra sua poesia, eu fui a realidade dos teus sonhos mais insanos em formato de menina , e mesmo negando ludibriando o mundo ao seu redor com falsos discurso de quem fui, qualquer um ver nas marcas da sua pele o calor do sol que fui pra você nenhum verão te fez arder como o meu , sua voz se calou, e sua poesia é completamente vazia, era eu quem te dava a vida. Quando eu te arranquei do meu corpo feito um aborto, eu vi que em verdades tudo a minha volta permanecia, o raiar do dia não mais me dói, eu não mais precisava preencher o vazio e nem esperar atrás da porta, dependurada na janela a sua chegada ou qualquer outro alguém no fim do dia, eu deixei as cortinas bem aberta pra ver o nascer dia, ver a beleza do entardecer fazendo sombras no chão na sala , a vida continuou a partir da sua partida, no fundo eu quem sempre foi sua fonte de água viva, e mais do que nunca eu jorro as minhas águas em abundancia , e como um rio me renovo a cada instante nunca sou a mesma, quando eu te encontrar novamente talvez te reconhecer como um objeto descartável, empoeirado pouco iluminado, não merece mais a minha devoção aliás eu já fiz as pazes com Deus e com o diabo, mereces a minha pena e meu muito obrigado por nunca ter estado verdadeiramente ao meu lado !

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