Sins

“Mila”/ mixed technical on eucatex – 76 x 56 cm/ artist: Acácio Corso

-Por Raíssa Padial Corso

Com todo respeito as singularidades, aceite os presentes e caminhe vendada na linha de cetim.

Mirar olhos.

Fitar moradas possíveis, em interiores nunca antes imaginados.

Há monstros e abismos do outro lado da montanha, mas saber que assim é abranda o coração.

Faz morada em mim diversos pés de manga, faço qual Barão das árvores, e caminho nos equilíbrios entre o que é ser mineral, o que é ser animal, o que pede sussurando o vegetal.

Moradas podem ser moveres.

Moradas podem ser chinelos estradeiros.

Moradas podem ser campinhos e gritos de gol! Apenas para driblar a vida.

Areias renascem se lapidando em cada regorjeio do mar.Nessa mesma profundeza do marítima, humanamente não pisada, tem um reino, e sim, moram lá essências cristalinas.

Se navego é porque aprendi a domar tubarões e suas dentadas frias, se navego foi porque disse sim, a construir meus remos, lapidei intenções e hoje canto livremente odes a um interno universo, que não basta conhecer e se entregar, basta se integrar.

Afetos sobrevoam e se deitam em meu colo, como esvoaçante dente de leão, que ensina que o sopro pode atingir meandros infinitos, caminhos infinitos.

Afetos enraízam e entendo os seus sins.

Digo as quatro direções:

Digos aos ancestros sim.

Digo as crianças,sim.

Digo a iluminação sim.

Digo ao recolhimento sim.

Pois nos sorrisos com os olhos colados, mora a verdade.

Pois nos sorrisos com os lábios molhados por meu prana, digo sim.

Digo sim a peregrinar nos seus olhos puxadinhos.

Entendo o movimento das marés, faço dele acalanto numa noite estradeira.

Porque habitar…habitar apenas eu.

Por que habitat é o que o vento de Santa Sara me soprar.

Nas minhas contas de cigana aprendi a chacoalhar os metais, entende-los como partículas que tilintam,os sins de sua bochecha, os sins de sua coxa a roçar; e posso enfim em seus cílios fazer um tobogã, onde me jogo, entoando o mais profundo sim!

Esse sim marcou minha corpa, nutriu minhas asas inimaginadas dantes.

Por trás de sua companheira saliva, mantro a nós e finco o sim.

Ouça “Sins” na voz da autora:

Música ao fundo, Grupo Putumayo – “Cantares”

4 comentários em “Sins

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