Eu sendo eu

Jesuana Sampaio

Clarice Lispector no Livro Perto do Coração Selvagem

Hão de dizer que são piegas os poemas de amor, que a moda é poema com contexto social, exaltação de si como foda. Hão de ditar a  moda para encaixar quem escreve.

E eu só posso dizer que gosto de ter achado no mundo meu modo de escrever, meu modo de viver literatura, ele não é fixo e imutável, mas ele é antes de tudo, livre.  

Aprecio  escrever poesia livre, aprecio ser livre, dessas liberdades que ofendem como diria Clarice, dessas liberdades que veem acompanhadas de ser quem se é com a máxima integridade possível.

Aprecio demais escrever sobre o amor, mesmo que sejam cartas de amor ridículas como diria aquele poema de Fernando Pessoa, mesmo que sejam versos melosos que enjoam os amargurados.

Há no amor um lirismo desmedido que volta e outra me toma.

Quando li Perto do Coração selvagem, eu senti ali junto aos escritos de Clarice que eu era também Joana com suas incontáveis perguntas sem respostas, pura inquietude.

Eu fui arrebatada por Clarice aos 15 anos, fiz um caderninho com frases desse livro de tanto que ele me impactara. Nunca mais esqueceria: “Não se preocupe em entender, viver ultrapassa todo entendimento. “

Só quero viver, Clarice, e viver já é tanto.

E eu sendo eu, quero poemas de amor pelas manhãs com a voz do ser amado, quero acreditar mais na alegria do que na felicidade e cometer erros bobos por estar desatentamente apaixonada. 

Eu sendo eu quero me pegar pensando “Se eu fosse eu” e ficar presa nesse desatino de me imaginar por dentro.  Eu sendo eu sigo alimentando a alma com palavras, com coragens, com poemas.

Clarice Lispector no livro Perto do Coração Selvagem
Música: Coração Selvagem, Belchior.

4 comentários em “Eu sendo eu

  1. Que lindo! Eu também fazia caderninhos com frases de textos que lia. Fiz capa de caderno, de livro… Era um jeito de montar um quebra cabeça literário.

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  2. “eu só posso dizer que gosto de ter achado no mundo meu modo de escrever, meu modo de viver literatura, ele não é fixo e imutável, mas ele é antes de tudo, livre.”
    Lindo Jesu, essa liberdade que falta!

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