Tradição do transgredir

Por Raíssa Padial Corso.

Deusa Inana num relevo acadiano datado de 2 350-2 150 a.C.

Quanto mais machadadas em paradigmas eu puder dar:
Serei.
Quanto mais possibilidades de mergulhar nesse corpo/pensante/ andante e peregrino.
Afogarei.
Primordialmente meus dogmas, para após, reinar em mim.
Neste justo espaço que me sou, neste meandro do existir.
O mundo é muito estreito para mulheres como eu.
Houve um tempo em que eu era mecânica de gaiolas, lá aprendi a colocar mais óleo.
Deslizar nas frestas e me encantar com as brechas.
Hoje :estado/ puro/ essencial.
Faço da transgressão meu êxtase espiritual.
Expurgo qualquer padrão.
E a cada camada que meticulosamente rasgo de minha carne:

Mais Inanna espelha-se em mim.
É no submundo que colho meus adubos.

Minhas palavras não se contentam em morar na garganta trancada.
E hoje digo.
Relevo só de minhas carnes.
Não absolvo.
Não inocento.
O mimo masculino não perpetuará seu legado.
Não mais alivio sua genética.
Já fui estática.
Hoje minhas sinapses são redes de descanso.
Me compadeço da imoralidade.

Perpetuo e decreto a tradição do transgredir.

Música de fundo: African Blues | Calming African Music.

5 comentários em “Tradição do transgredir

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