AQUÁRIO

Uma sereia – William Waterhause

Por Juliana da Paz

Nas profundezas marítimas havia uma linda sereia apavorante. Conquistava todos os pescadores, atraindo-os para a morte. Um dia encontrou a beleza de sua alma perdida no vasto mar de seu coração quando conhece Mob, o tubarão mais carrancudo, nascido no mar aberto, que vem disputar com ela a carne dos pescadores daquele pedaço de mar.

Nascido em mar profundo e hostil, precisou tornar-se amedrontador, ao menos em aparência, não poderia ser diferente para sobreviver. Quando se encontraram, em disputa territorial, Ella, mesmo com medo, enfrentou sua carranca para resolver o problema do domínio do mar.

Ella, na contramão do que fez Mob tornava-se a bela criatura com a mais doce conduta par enfrentar os perigos. Sua estratégia era marketing puro. Era basicamente esconder suas verdadeiras armas de luta. 

Ao encará-la o que Mob sentiu foi surpreendente… Seus pensamentos borbulhavam numa energia magnífica! Ele pensou

“Ela é tão linda que não conseguiria matar, a não ser para alimentar-me de alegria, mas ela era linda no fundo dos olhos. Era forte! Corajosa. Sem fazer cara feia e isso me impressiona tanto! Que não conheço mais a vontade de abocanhá-la”

Segurando a onda pra não sair correndo, Ella olhou-o de volta, encarou-o nos olhos, em enfrentamento sério. Procurou e não achou o que lhe haviam descrito sobre o peixão! Ele fez cara de encanto, de canto de música. Ele viu e sentiu a música da sereia. Ele a conhece naquele momento. E ela sentiu que, entendida, não havia mais a vontade de devorá-lo. Ela viu que a carranca do tubarão se embelezava, embora não mudasse nada em traços e formas o seu rosto.

Ela reconheceu nele a força e a coragem de não matá-la, por entendê-la na força e na coragem de não temê-lo.

Parados! Acordaram que em cinco dias conversariam sobre o caso e se entenderiam a respeito. Nesse período reconstruíam o lugar que destruíram enquanto lutavam pelo território, arrebanharam toda espécie de bicho. Ao fim, sentaram, conversaram, descobriram-se amigos, observaram que tudo é divisível, que a paz é multiplicável, tanto quanto as diferenças e semelhanças existentes entre os seres. Tão vasta quanto a abundante água do oceano que avança sobre a terra.

Toda essas ideias teriam saído da cabeça della. Ele a encontrava linda todos os dias, mas foi nascendo uma fome que se diferenciava da anterior. Não era vontade de devorá-la! Era vontade de vencê-la. Derrotá-la. Ganhar sua veneração e subserviência. 

Era insuportável essa tentativa diária de vencer a si mesmo a fim de não machucá-la. Ele fugiu de si para uma profundeza de onde, vez ou outra, a ouvia cantar. Era o canto que ecoava nos mares para atrair presas àquela deusa.

A sereia ainda come pescadores, Mob também… Mas ele resolveu continuar suas andanças pelo mar e sempre escreve cartas e postais com fotografias à sereia, mostrando-lhe que nenhuma paisagem que avistou mar a fora é tão bela quanto a que ele já viu dentro dos olhos della.

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