Eleições

@sapiens_questione, 2016.

Carolina Tomoi-

Me lembro do dia que fui buscar meu título, tinha 16, era um dia muito ensolarado como a esperança cultivada num Brasil jovem, que tinha tudo para brilhar feito estrela. Em meio àquela restrita constelação de 26 pontos a cintilar na bola azul, ainda não havia aparecido nenhum Sol que brilhasse para todas as unidades federadas na mesma intensidade.

mas quem sabe agora, quem sabe com meu voto?!

Eis a dúvida que paira na mente de vários eleitores: “será que meu insignificante voto faz diferença?” Não me recordo nesses últimos vinte sete anos de eleitora ter alguma vez anulado meu voto, mesmo que isso significasse escolher entre o pior de todos e o menos ruim. Também costumo não me abster de votações. Prefiro propor e problematizar, me posicionar que ficar em cima do muro.

Isso eu aprendi estudando as “ditaduras” bolchevique e cubana. E ainda conhecendo experiências quilombolas e ameríndias. Onde cada vez que se faz uma proposta, torna-se também ser responsável por sua realização e, portanto, deve-se acompanhar todos os processos que envolvam essas escolhas, sejam candidatxs, propostas, ideias ou projetos. Difícil aprender a ser responsável pelas próprias escolhas com “democracias” como a norte-americana ou a nossa, onde milhares esperam que outros escolham por si. Será que é difícil perceber que não escolher é permitir que outros escolham por você???

Esse ano foi a primeira eleição da minha filha. Como para mim em minha primeira, suas estrelas não brilharam… talvez não, assim logo de cara, precisei aguardar ou melhor, esperançar. Quando acreditamos e trabalhamos alguns sonhos que se sonham só, passam a ser sonhados juntos e acabam virando realidade, como dizia um grande amigo*. No ano que ela nasceu, meu primeiro candidato a presidente foi eleito. Era vida e esperança brotando do meu país, de mim.

Olho aqueles que trazemos ao mundo e penso que só por eles deveríamos continuar. Mas, se arrisco ampliar só um pouco o olhar, descubro tantos outros motivos, vejo que somos 51,8% de mulheres; 57,3% de não brancos; 79% de trabalhadores, aposentados ou sobreviventes desse sistema**. Somos maioria. Não podemos nem devemos permitir que outros escolham por nós. E mais que isso, temos que fazer valer nossas escolhas, escolher quem anda ao nosso lado, estudar, conhecer nosso passado, não esquecer! Não deixar pra lá! Afinal, somos nós que pagamos a conta!***

Ouça Eleições na voz da autora:


* Meu amigo Raul Seixas.

**Dados do senso IBGE 2019.

*** Bertold Brecht, o Elogio ao aprendizado.

6 comentários em “Eleições

  1. Sonho quando essa bola azul deixar de ser brinquedo na mão de mimados. Sonho com dia em que não me sentirei incomodada com as cores dessa bandeira. Por hora a indignação é grande, mas o verde, que queimam dia-a-dia, mais e mais, ainda me traz esperança!

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  2. Vou compartilhar no segundo turno. Quem sabe seja semente de coragem e esperança para tantos, que nem tiveram aquela energia que você narra na juventude ou a perderam.
    Eu tive a sorte de ser aluna da Socorro que ameaça esperança e luta.

    Curtido por 1 pessoa

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