Indefinida!

Jesuana Sampaio

Cabeça rafaelesca arrebentada (1951), Salvador Dali.

O que ganho sendo tão incerta?

O que faz de mim campo germinado de dúvidas?

Ser inexata me define tão intensamente que não cabe a mim reconhecer tal feito.

A não ser pela única certeza, de que sou dúvida.

Por isso, inexata, indefinida como ser.

O que sou enquanto inconstância em efervescência?

O que faz com que a crise seja parte de mim ?

Ser movimento, ser estrada, contempla minha ausência de exatidão.

Põe nos trilhos meu decreto de um ser em construção, um ser inacabado, eternamente.

Se sou dúvida é porque não quero ser ponto final,

prefiro as reticências do existir.

Assim como as interrogações cotidianas que sempre instigam respostas.

E, quem sabe, nunca definitivas.

Quem sabe, talvez, quem sabe?

Dúvidas?

Sempre…

4 comentários em “Indefinida!

    1. “Ser inexata me define tão intensamente”
      Dos versos que nos cabem inteira! Ter dúvidas, ser constante indagação, é a peova de estarmos VIVAS!
      Poema carregado de “ser”, Jesu! Lindo.

      Curtido por 1 pessoa

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