Cânone

Ballet Du Grand Theatre de Geneve @Heloisa Bortz

Elisa Dias-

Eu anseio pela hora de descarregar na força dos músculos dos seus braços a minha exaustão da vida, o peso da saudades, prender minha fragilidade entre suas pernas, a ponto de sentir o sangue passeando por suas veias e artérias.

Quero dançar em 6 por 8 nas batidas dos seu coração quando pressionado o seu peito sobre o meu, pois eu gosto quando me aperta com força feito um desesperado com medo da morte se agarrando a mim, sou sua fonte de vida.

Sei de cor os caminhos do seu corpo pois decorei as constelações desenhadas nos ombro com pintas, para que todas as vezes que eu perder o rumo de casa eu olhe para o céu e as estrelas me guiem até teu corpo que é meu lar, sei também da marca de nascença na coxa esquerda e das cicatrizes da vida.

Algumas das feridas feitas por mim, eu sempre tento encontrar acordadas na curva melódica da sua voz entre um suspiro e outro, roubávamos da noite o sol num cântico celestial, um cânone sacro composto por Palestrina na renascença, entre tons graves médios e agudos você é meu cantus fimmus, a base de toda construção sonora saída do meu íntimo.

Sua embarcação que sempre chega flutuando por meu rio através do sumo da fruta fresca que escorre todo seu mel em abundância, lavados de suor e sal a gente nunca se cansa e dança e canta, rimos como duas crianças, isso não pode ser pecado.

Eu conheço o seu prazer de fato e não me refiro ao falo, nem o toque da suavidade da minha pele e as pequenas das minhas cavidades, que quase não te cabem, eu me refiro a um alma pálida que conheceu os céus através dos meus beijos com gosto verão primavera as quatro estações, ganhou cores vibrantes como as do meu sangue, ouviu o canto da sereia numa viagem fluvial pelos sete mares, fez juras de amor pra outras moças usando as minhas palavras, eu aguço sua curiosidade humana, pois a minha ambiguidade te faz enlouquecer, eu sou parte de tantos mundos ainda sendo parte de você, te preencho o corpo e alma, sou banquete dos Deus, mais sempre queres comer lavagem com os porcos, eu ando pelo seu corpo como desbravadora sinto em sua boca o gosto de outras bocas, mais em sua mais doce memória sempre estarei imaculada, quando nas noites frias e solitárias as mãos se encontram úmidas de salivas e suor em movimentos repetitivos eu estarei dançando nos seus pensamento em 6 por 8.

Olha eu preciso descarrilhar o fio da vida e você sabe onde está a chave da porta, precisamos cantar esta noite e devolver o sol pro dia, cantar pro dia nascer essa a sina que eu tenho com você!

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