Júpiter

Raìssa Corso Padial: imagem criada a partir da arte menstrual

Raíssa Corso Padial-

De dentro para fora essa luz expande

O cristal flori

E como candeeiro em escura caverna

No céu a lua é cheia, desmembrando-se em minguar.

Centralizado em linhas universais reina ele, o grande expansor.

No mesmo signo, insígnia, casa minha zodiacal

Expande mestre…

Gigante a rodar em velocidades imperceptíveis e que ao mesmo tempo

Abrem o chão em queda abstrata, neste signo subidor de montanhas a qualquer custo,

não se importa com o susto, nunca se vê impotente.

Ajuda-me, Ó Grande Mistério, de qual substância abissal farei esse adubo?

Mesmo que com estrumes, unguentos ou balizas.

Me ensina a domar antes de ser buquê de cicatrizes,

ensina -me a apaixonar-me por essa cegueira, a qual todo humano é submetido nesta descida.

Se escrevo é porque sou pântano fechado, areia movediça, alma que

perpassa o corpo e cresce se agarra em profundas raízes e floresce.

Se escrevo é porque transbordo, transmuto minhas dobras adoradas

Meu corpo circular, meu ovo interior, yoni de quem sou, transgrido sem regredir

Perpasso sem ferir, acalanto sem interferir.

São tantos cascalhos em nossos mestiços corpos, tantas garrafas de vidros quebradas para chumbar nos muros desses limites, qual balão flutuo, e o que me liga a terra é tenra linha com cerol, arco-íris de anzol no fim a armadilha de ouro.

Confirmando todas as polaridades, não permitindo se consumir por todas as meias verdades.

Que neste plano ferem e produzem símbolos eretos.

Perplexos sinais de que pouco se importam com nossas ancestrais

Pra quem não vê a beleza das joaninhas, pra quem não faz de tempo rei uma oração

Pra quem não mira a transgressão na rua da feira, a amada trans no escadão.

Hoje meu coentro vingou, e fiz dele tempero pra expulsar de minha vida quem dele não gosta nem do cheiro, sou assim tempero forte, uns amam, outros apregoam.

Uns seguem sem saber o limite da minha proa.

A Muito tempo estou dizendo: Sou um navio em alto mar,

Atlântida submersa.

Arqueóloga de mim.

Ouça o poema na voz da autora: Júpiter

6 comentários em “Júpiter

  1. Essa busca de um eu profundo, soterrado pelas complexas relações entre o ser e a cultura, entre o signo e o símbolo é quem mora a força e a beleza dessa poema. Que tenhamos a força desse gigantesco astro, trazedor de presentes a humanidade, para que o encontro seja possível 🔥

    Curtido por 1 pessoa

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