Alquimista

Foto: Tumblr

Elisa Dias-

Eu deslizava por entre os seus dedos feito ar, inflamava teus pulmões com o sopro da vida, girava ao seu entorno e sempre te impulsionava  ao deslanchar de um novo dia, eu era a vida.

Nos dias quentes eu era a brisa suave que soprava com gentileza seus cabelos, secando o suor da pele escorrido por meus feitos, brasa da minha silhueta sútil,  desenhada  em sombras na parede da sua memória, recordações das auroras de um dia que feito tatuagem ficaram cravadas na sua alma, fotos amareladas do último verão que fomos felizes e  feito pássaros libertos voamos pelo céu infindável.

Como terra fértil que tudo dá ao homem, eu era seu firmamento no chão, trilhava  a rota da sua vida, oferecia a matéria prima pra sua criação, semelhante ao Criador do barro moldávamos juntos o seus sonhos, que em outrora já haviam sido meus.

A questão é que teu cheiro ainda está impregnado na minha pele, nas vestes, no céu, no mar, na rosa que morre e no broto que nasce logo em seguida, e a cada batida do meu coração eu grito num silêncio ensurdecedor que o amo. Para minha ruína eu o amo. Nasci nesse mundo com o dom da misericórdia pelos aflitos, eu amei a sua aflição, e você o amor que eu o tinha, eu vim ao mundo apoucada da força do ódio, na minha inocência eu acreditava na remissão do homem, lambuzado pelo pecado da luxúria, infrator dos mandamentos “não mentirás“. Mas a mentira de quem tu eras enfeitava  a podridão da humanidade, e me via feliz, com fé no homem e no amor, seria aquela minha chave para os portões do paraíso ?

Fiz do meu peito leito pro seu abandono, mesmo quando me abandonava, meu canto te acalentava, eu embalava o seu sono, na minha insônia eu te velava, dormia acordada pra te ver dormir, clamava em silêncio por teu anjo da guarda que também já havia sido meu um dia, rezava com fé e devoção “Salve Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, Salve!…” Quando nossos dedos se cruzavam e no vale dos sonhos as bocas se encontravam todo Cosmos vinha fazer morada dentro do meu ser, eu começava assim compreender a Deus e seu amor pelo homem, entendia a tristeza do mar ao se despedir das embarcações e a fome física da minha gente pelo amor divino. O meu amor era sua herança ancestrálica de outras vidas, só que eu não sou Alquimista e não faço das pedras ouro, como homem que é e vindo do pecado assim como eu, amor não faz ninho, eu deslizava por entre seus dedos e ainda estou nas batidas descompassadas do seu coração, sei porque sinto sua presença nos arrepios da pele,  mais é um pássaro preso na gaiola dourada, que teve suas asas cortadas, os seus dedos não então mais sujos de barro, eu sou todo oceano e você embarcação, tínhamos juntos a chave do paraíso, não sei se maldição ou castigo  me encontro todas as noites  com seu destino em sonhos. 

Te entreguei a pureza dos dias infinitos e mesmo me sentindo como o ar da vida em seus pulmões, você vive dias iguais com hora marcada preso na sua gaiola de ouro toda dourada !

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