Memorias de Infância : Vô Ermínio

 

Meu querido Avô Seu Ermínio

Eu ainda me lembro do cheio de lírio que a noite enluarada de verão da minha infância tinha, me lembro de risos e primos no quinta,  do quintal da casinha de telha e chão batido que a gente vivia.  Me lembro de todas as constelações de estrelas no céu infiro diante dos meus olhos inocentes, me lembrou da casa esta sempre  cheia de música , e dos dedos  passeando pelas cordas de um violão que pertencia ao meu pai. O quintal Coberto por luzes de vagalumes vez o outra   a criança pulava o muro do quinta pra ir brincar no mato  na beira do rio e  eu no colo de minha mãe que cantava cantigas antigas pra eu adormecer, mais de alguma forma seu canto me levava pra um lugar desconhecido dentro de mim era lugar   que estava lá antes que eu pudesse pensar em estar no mundo,  e lágrimas caiam pelo rosto , ainda criança não entendia nada da minha sensibilidade de toda carga  nostálgica que habitava em mim, talvez lembranças de outras vidas.

Mais lembrar da casinha  me leva para um universo reconfortante,  na minha inocência não  entendia que poderia existe alguma coisa mais bela que aquela vida, era tudo perfeito, tudo estava como tinha que estar. O que faltava em luxo sobrava em amor e esperança de dias melhores. Nossas bagagens eram carregadas de sonhos maiores que nosso corpos, nunca couberam nos bolsos de nossas vestes, mais passávamos longas horas compartilhando aquela vida futura onde a gente se imaginava horei  .

Meu pai tinha o dom de sempre resolver as  coisas por mais impossíveis que elas parecessem ser, isso me faz lembrar da pior coisa que viera nos acontecer,  mais antes devo conta-lhes um pouco sobre meu avô paterno Seu Erminio  tem lembranças  vagas dele,  e infelizmente as mais tristes para se ter de um avô , me recordo sempre de ir visitá-lo em sua casa  e pedir a benção e eu nunca sabia qual mãos eu deveria estender, sabendo também que estender a mão errada na hora da benção era uma grande ofensa pros antigos,  morria de vergonha do meu avô, ela já não morava na mesma casa que minha avó,  vivia num quartinho  frio, húmido e escuro   nos fundo da casa, onde as tranças e a depressão o consumiu  rapidamente,  quando, foi levado para o hospital eu ia com minha mãe diariamente  visitá-lo,  eu sempre pedia a sua benção torcendo para acertar a mão que iria estender e ele sempre ria e perguntava se eu havia levado para ele seus cigarros e não demorou muito meu avô se foi,  foi triste mais não tão triste quando o episódio que fez com que ele parasse de vez de sair de seu quartinho. Certa vez numa tarde chuvosa meu avô resolveu nos visitar para isso precisava atravessa uma ponte  que dava acesso a minha casa, ponte feita por meu pais e outros homens que morava nas redondezas,  então ficamos eu e minha mãe olhando meu avô da janela  atravessa a ponto, ele se desequilibrou e caiu dentro do córrego,  a tarde cinza de chuva, tornou-se cinza de sentimento, não existe nada mais nebuloso que um sentimento cinza. Foi de longe o dia mais triste da minha vida,  e mesmo sabendo que nada havia acontecido como meu avô, eu não pude conter minhas lágrimas o dia todo e ainda  fico com os olhos  embaçados quando me recordo deste episódio.  Ter apenas recordações triste do meu avô paterno e não saber muito sobre ele, apenas que era um homem  bom reservado e  havia ensinado meu pai e todas as outras crianças do bairro onde moravam em Itororó Bahia a ler escrever  história geografia ciências, mais talvez fosse um homem reservado  que não  tinha conhecido o amor e afeição de seus, logo não fez o mesmo com seus filhos.

Eu trago no meu tutano, minha matéria primeira o sangue do avô baiano, e carência dos dias  eu crio estórias sobre ele, sobre nós,  gosto de imaginar que um dia irei visita-lo na roça, que deitarei nos teus braços cansados de ter trabalhado no pesado a vida toda,  gosto imaginar e tivera mais tempo de vida, e ainda que teve uma vida mais amena, menos calo de sangue na mão, inchada no lombo. Quais eram os sonhos do seu Ermínio? Sei não Senhor! Com tanto trabalho e filho pra criar,  não sei se lhe era permitido sonhar, para gente de pé de barro as vezes não lhes são dados o direito de ter um par de chinelo que não esta  com correias trocas escoradas com uma prego, mais eu prefiro imaginar  que meu avô  teve muitos sonhos,  e como havia de ser diferente do contrario  caro leitor esse gente que nasce no chão de terra vermelha rachado da seca, não teria vingado!

ResponderEncaminhar

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: