Em estado Árvore

Foto: Anderson Silva

Soltando as amarras. Quebrando muros e destruindo cercas. Estruturas secas, camadas duras. O acúmulo em mim já não me pertence mais. Fragmentos que um dia fizeram parte do meu eu, se despedem para não retornar. Projeções e expectativas desenhando sonhos que se desmancham, tal qual as nuvens em tempos de ventania. E se a rajada de vento é intensa, traz junto, a vontade de fazer as malas e  buscar abrigo. Um refúgio para deixar a folhagem se desprender  por completa. Se deixar ficar em estado árvore.  Obedecer ao ciclo de vida/morte/renascimento de ser árvore, assim como Manoel de Barros ensinou direitinho. Aprender sobre os passarinhos, a lua, o sol e os planetas com a divindade do nosso corpo. Estar em estado árvore para no silêncio do contemplamento, reviver em nós, o ser poesia. 

4 comentários em “Em estado Árvore

  1. Lembrou-me os versos de Ana Hatherly:
    “Por isso
    se tudo o que te apetece
    é simplesmente
    deitares-te no chão
    e olhar o céu
    podes crer
    também isso é poesia
    e basta.”

    Sejamos árvore-poesia, serrs que se fundem com a natureza. Ela própria se cumpre em nós.

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  2. Me fez pensar as figueiras, dispostas no centro da cidade, meu desejo é abraçar , e como nunca vira um baoba adulto, imagino que sua grandeza seja semelhante a esta, arvore em nossa filosofia de vida, é iroko, iroko é tempo!

    “Obedecer ao ciclo de vida/morte/renascimento de ser árvore” – tempo

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