As Mãos

Imagem retirada do Blog Recitar Poesias

Adormecidos seguem com minhas inverdades, o resto do ciúmes regou minha noite, eu acordei embrulhada no vestido amassado e resisto em começar o dia tão cedo. Sei bem diferencia as tuas  letras no meu caderno, sei também a tua e a hora  dele, eles nunca perguntam meu nome.

São apenas mãos, são apenas lábios, que se cruzam dentro da madrugada aflita, são apenas dedos, feitos e ossos,  veias, músicos, minúsculas células,  células que formam o tecido da pele humana, no entrelace dos meus cachos na hora marcada gesto de afeto  afago, e neste momento eu sinto repudia, remorso, por sentir pele e osso  que perambulam também no vale dos seios.

Sinto pena daquele corpo sedento de humanidade, pois esqueci de ser humana, hoje só tenho lábios mãos e dedos, ninguém sabe se tens sangue pulsante no ventre ou no peito, nem sei se há verdade absoluta no meu existir, aguardo o próximo horário, a letra no caderno,  esperando que provem-me o contrario sobre o existir .

Sou apenas água, que escapa das bocas escorrem entre as pernas, vai de encontro ao mar, um navegar sem destino. Tudo de mim sai de graça, as noites, as taças, os risos as lagrimas, as ruas, todas as minhas casas, as vestes amassadas. Mais uma aurora no alvorecer e eu continuo intrigada com o ranger dos ossos nos dedos das mãos no meu coro cabeludo , como pode eram apenas mãos, lábios ?   Foi mais um corpo caído no chão.

2 comentários em “As Mãos

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