Tardes de Outono

foto: Joseph Liszt

Elisa Dias –

Eu não sei porque os vazios das tardes de outono ainda me trazem sua presença, e confesso que me dói não saber mais seus roteiros, não ter notícias  nossas,  e que a cada hora do dia morre um pouco do que existia referente a essa história.

Eu corri contra o tempo vi meus pés sangrarem sobre o asfalto quente do meio dia, eu busquei estrelas pra iluminar o breu do céu da sua boa, decorei sua alma com lindas cores vibrantes , cores semelhantes às  do tom da sua voz, eu revivi lembranças de  um tempo que nunca vivemos, pro meu beijo sempre te trazer um gosto de nostalgia, gosto de infância, manga fresca colhida do pé.

Me atentei a cada detalhe do seu temperamento, vasculhei cada parte do seu corpo, como criança curiosa vasculha coisa alguma dentro de gavetas,  encontrei até o que eu devia, amor, prazer, mentiras e duvida!

Mais eu nunca fui capaz de compreender porque  me aprisionei de tal forma  dentro daqueles olhos,  era como a aurora boreal dos árticos e na boca tinha todo o calor dos trópicos, uma viagem sem fim para diferentes mundos,  está ali na presença  da minha outra parte, flutuávamos através das noites e no nosso mundo não existia tempo, pressa, ou velhice. Criamos um realidade paralela para nós dois, eu ainda prefiro a mentira,  ter fragmentos seus em mim  e como olha dentro da minha alma e  ler todos os seus segredos assustadores, um lobo na pele de cordeiro. E mesmo assim eu ainda fiz um plantio  inteiro de trigo pra ser o cenário daquele capitulo do seu livro favorito, eu dei forma, cor , fui  trilha sonora para todos os seus sonhos e me atirei num pesadelo, que me distanciou cada dia mais de mim, até que  um dia eu me vi como  quando eu olhava meu avô indo embora na estrada de terra,  ele sempre ia em direção do horizonte ficava pequeno, pequeno, pequeno até sumir no tempo , fui um trem parado me despedindo da ferrovia eu não existia mas, era um monte de poeira destroços de incêndio, um empilhado de caixas com lembras e segredos  tudo que já foi de extrema importância um dia todavia no agora é só piada que recontada tantas vezes perdeu sentido do riso. E a ainda estou em débito com Deus  por ele ter me emprestado seu perdão divino, pra que eu te aceitasse de peito aberto, casa limpa em todos os seus regressos, como um anjo de asas cortadas eu caí do céu, do que você me apresentava como paraíso, faminta eu aceitei as migalhas do teu pão dormindo porque acreditava que aquilo era o banque dos deuses descia goela  a baixo empurrado junto com todas as suas mentiras, eu degustava , aceitava, deixava as minhas armaduras de lado e perdoava. Foi quando me dei conta que estava ficando tarde da noite e precisava voltar pra casa, eu nem lembrava mais o nome da minha rua, ou em que cidade morava ,foi um caminho longo e árduo,  retornar pra casa depois de ter ficado tanto tempo longe nunca é fácil, as coisas estavam todos no mesmo lugar foi eu quem havia mudado, requer muito humildade abrir mão de um grande amor.

Depois de séculos vendo o mundo com a cegueira dos teus olhos eu entendi que de fato aquele ser nunca me teve amor, ele amou a devoção  e o amor que eu lhe entregava de corpo, alma e canção e poesia.

Hoje mesmo de longe vendo toda minha ruína,  eu posso afirmar coberta  de toda certeza que  se humanidade tivesse a dádiva de enxergar em forma física este amor ,ele  seria de beleza mais  imensurável já vista na terra e nos céus, acredite em mim , eu já estive nos céu. Ainda me alegra saber que eu  fui capaz de encontrar  o amor dentro do mais completo vazio, como uma terra seca reguei com minhas lágrimas, vi o primeiro verde florescer,  ternura é uma palavra singela pra descrever meu querer .

Nas tardes de outono sua presença ainda me visita e me faz lembrar que sobre todas as coisas eu sonhei com o amor dos filmes e tive por você o amor dos anjos, que você  um dia também encontre o caminho de casa e tenha uma longa vida feliz .

7 comentários em “Tardes de Outono

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