Parir-se

As duas Fridas, Frida Kahlo

por Ana Karina Manson

Dói parir

No cortar cebola com ligeireza

Sob a luz do abajur nossa conversa

Nas palavras com tanta firmeza

Na vida que passa depressa.

Dói parir

Todo dia o filho novo

Que se renova em gestos

E ao seu encontro me movo

E em seus olhos me gesto.

Dói parir

Minha mãe em mim

No cheiro do coentro

Na louça lavada

No que há por dentro

Na vida lutada.

Dói parir

Mas depois é júbilo

Ter-me mãe em meus braços

Recém-mãe-nascida

A cada dia, a cada passo.

16 comentários em “Parir-se

  1. Texto lindo ❤️ Ana Karina , demonstrando muita sensibilidade ao renascer e ver nossos proles renascer em a cada dia. Renascem e transformam- se como num piscar de olhos.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Essa dor, antiga conhecida de todas nós… Ai amiga, quero me parir em seus braços… Também é muito doída a saudades que tenho de teus abraços.

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