Esquizofrênica

Esquizofrenia..  cuanta ira, cuanta violencia y cuanta impotencia técnicas mixtas, carboncillo y  pintura al frió
Nadia Cepeda: Esquizofrenia

Elisa Dias –

Algumas pessoas morrem aos 20 anos mais só são sepultadas aos 80. Não existe causa aparente, a alma se desgasta, como um vestido velho de noivado empoeirado no armário, fica cheia de traças e puída, assim como sua antiga dona que foi abandonada no altar e então nos tornamos uma caixa vazia perambulando pelas ruas, dentro de nossas casas, em nosso trabalhamos é o vazio que nos vence, perdemos a fé e quando morrem os sonhos não nos resta mais nada e repetimos os mesmos gestos deprimentes. Acordar, cumprir com o protocolo do dia e dormir, andamos com essa mesma sina dia a pós dia.


E ainda somos sucumbidos pelo sentimento da ingratidão, o qual muitas vezes tem mais que os miseráveis e mesmo assim, nos damos ao luxo de mal dizer a alma vazia que nos engole, que tritura, que mastiga. Pressa de degustar, comida quente desce pela garganta escaldando tudo, sabe?
Há sempre quem dirá que amanhã será outro dia! De que me importa o dia que virá? Eles serão sempre iguais, cinzas, por mais que no fim da tarde o céu nos dê um espetáculo inenarrável de cores, os dias continuam sendo cinza, não por sua cor mais em seu sentimento. Você já teve um sentimento cinza?


Eu me pego em delírios noturnos perdida entre o real e a fantasia, crio estórias sobre quem fui um dia, sobre quem serei, e até mesmo crio uma dobra no tempo para tentar reverter o momento em que me fiz tão triste. Isto tudo, cinco minutos antes de dormir, na tentativa de enganar os sonhos, os céus.. Que eles me tragam algumas poucas horas de paz, pois na manhã seguinte vem a repetição do pesadelo real.

Não sei em que momento esqueci minha alma no fundo do armário, nem saberia ao certo dizer em que esquina larguei minha fé, mas espero que alguém tenha a encontrado e que faça bom uso. Recordo-me de que ela era boa, que me trazia sorte.

Não tenho um único motivo ou glória para escrever no meu epitáfio, poucos amigos para me fazer um elogio fúnebre, e trago comigo vergonha de ser só, a solidão me fez de roupa e se vestiu de mim. Agora eu nem tenho mais nome, me conhecem por aí como aquela moça.

Vivi sozinha, ninguém sabe o meu nome, eu também me esqueci de qual era. Tenho por mim o pior sentimento que alguém poderia ter por si: piedade. Perco meu tamanho todo dia, fico cada vez menor dentro das minhas roupas. Ninguém se importa. A alma apodrecida me corroeu por dentro feito fruta podre, quando os resquícios transparecem pelo lado de fora é tarde de mais.


Hoje me encontro num ambiente inflamável, me atirei ao mar e no meio do trajeto me lembrei de que não sabia nadar, mas meu instinto humano de sobrevivência sempre encontraria a praia e quando estamos perto da areia a correnteza me leva para o início.

Eu acreditava que poderia ser como as estrelas que vemos a noite no céu, que estão mortas há milhões de anos é continuam brilhando.

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