Mãos pretas

Como ler estas mãos pretas?
De linhas tecidas jamais lidas
Calejadas por outra História?

Como ler estas mãos pretas?
Outrora de sonhos partidos
Geradas em dolorosas memórias

Como ler estas mãos pretas?
Pretas de sangue moídas
Pretas de dores vermelhas

Como ler estas mãos pretas?
De tantos negreiros navios
De tantas almas presas

Como ler estas mãos pretas?
Que repousam na folha os dias vencidos
Que subversivamente dominam a caneta?

Como ler estas mãos pretas?
Mãos que enfrentam as grandes cidades
Mãos que acenam das periferias

Como ler estas mãos pretas?
Mãos que agora tecem sua vida
Mãos sem correntes, sem feridas

Como ler estas mãos pretas?
Mãos que agora escrevem sua história
Mãos que triunfam em glória

Como ler estas mãos pretas?
Não, eu não posso
Sou incapaz
Neste mundo letrado
Deste lugar desalmado
Perante o grito silenciado
Ler esta e tantas outras
Mutiladas, resistentes
Calejadas, potentes
Mãos pretas

Ouça nossa voz: Mão pretas

Um comentário em “Mãos pretas

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