Memórias de Algodão

Jesuana Sampaio

Quando eu era criança e a minha família já morava em Fortaleza, nas férias, íamos ao sertão de Paramoti, no Ceará. Mainha, minhas irmãs e eu.

Mainha fazia uma cesta básica grande e lá íamos nós pra casa do tio João. Alegria quando chegava na Santa Fé. Depois era só avistar a Casa na beira da estrada e com um açude ao lado.

Sinto uma saudade infantil daqueles dias, uma saudade de menina que cresceu rica de experiências intensas e sei que mainha era quem arquitetava tudo, apertava o orçamento, trabalhava dobrado pra junto com a verba de paizim, ela e suas cinco filhas pudessem ter um momento de lazer.

A gente ia pelas veredas da casa do tio João para casa da tia Maria, do tio Toin, morríamos de medo de guaxinim, acreditávamos piamente que eles comiam gente. Íamos fazendo ziguezague porque quem ia na frente tinha medo e quem ia atrás também, todas queriam se proteger no meio e acabava em um tracelim de meninas com medo de um bicho que nunca nem se tinha visto.

Em uma dessas viagens, aos seis anos, lembro de uma plantação de algodão, e tio João dava uma bolsa de couro pra gente colher os algodões.

Fui atravessada por este momento da minha infância, nunca esqueci, até hoje adoro bolsas à tiracolo e acho a coisa mais linda a flor do algodão.

 Tio João sofreu quando não pode mais cuidar da terra, dos bichos e, virou uma flor de algodão a amaciar o céu.

Ouça nossa voz: Memória de Algodão.

19 comentários em “Memórias de Algodão

  1. Que linda história das Memórias de Algodão, me fez lembra qndo era criança e meu pai fazias lindas flores com o Algodão eu adorava ver aquela flor linda Branca como a neve, que bom essas belas histórias de infância de pessoas que moram no Céu agora, Parabéns Jesuana vc escreve coisas lindas que toca a Alma

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    1. Maria, imensa gratidão, linda. É importante pra mim saber que o que vivi também chega até a ti e traz lembranças lindas. Um forte abraço e venha sempre nos ler aqui.

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  2. Tem muitas coisas que me encantam na escrita de Jesuana, seu poder de concisão, as imagens que nos suscita, mas o que me arrebata é força da singeleza. Ler Jesuana é como riso de neném, flor que desabrocha ao sol, voo de passarinho e banho de mar em plena segunda feira…Ela nos toca onde guardamos o nosso melhor.
    Só tenho a agradecer.

    Curtido por 1 pessoa

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