Teoria do universo

Van Gohg: Noite estrelada

Elisa Dias –

Permaneci ali, parada, enquanto ele girava ao meu redor, muitas vezes me sentia o Sol, o centro do universo com todos os planetas estrelas e civilizações girando em minha órbita.

Era tudo suspenso pela lei da gravidade, nunca fui capaz de compreender a ciência exata, para mim é tão abstrata quanto um quadro impressionista de Vincent Van Gogh. Entretanto, tudo fazia sentido, eu fervia, brasa, faísca, fagulho, chama, fogo, queimava e ardia a pele, e, pela sua lei completamente sem lógica ou fundamento científico, eu flutuava.

Tocava as estrelas com as pontas dos dedos, dançava e deslizava nos anéis de Saturno, passeava  pelo trópico de câncer, alinhava a terra com o Meridiano de Greenwich, acariciava a Ursa Menor,  e  num subido me deparei com uma explosão estelar, que vinha se formando no universo há milênios de anos, antes mesmo da humanidade existir, eram os olhos dele, parei por alguns segundos observei aquela beleza, que somente eu saberia enxergar e mergulhei tão fundo que beijei sua alma.

Perdi-me, de certo,  nas veias e artérias tentando encontrar o coração, e nessa tentativa utópica de transpassar seus olhos e chegar no seu coração, perdi meu posto de Sol, como castigo ou maldição o Criador de todas as coisas me lançou na terra.

O verde, o mar, a fauna e a flora, o sabor dos frutos eram a junção das coisas que formavam a beleza mais rara já vista no universo. Tudo estava em harmonia perfeita, todavia, nada girava em minha órbita, mais eu permanecia parada ali. Não seria capaz de dizer não aos meus quereres, estava disposta a enfrentar o castigo do homem, calei os meus pensamentos coesos, coloquei meu coração aflito para adormecer com uma doce canção de ninar, minha razão não existia mais, e ele continuava girando ao redor.

Eu era o Sol, estava suspensa em seus braços e não saberia dizer o que seria mais sagrado que nossos corpos interligados, ele girava ao redor de mim, pois eu seria incapaz de impedi-lo de ser a lógica de todas as minhas coisas, de ser a estrela que traz sorte, o vento da madrugada, os mistérios da vida, de ser minha ruína e minha restituição, o câncer que correu minha alma e a cura dele também, de ser minhas lágrimas de dor e prazer, meu calmante, meu ópio, meu vício, minha partida e meu regresso, por me fazer pecar e nem saber mais se existe o pecado.

Ele também girava em torno de mim, porque ele  sabia q eu era o Sol, que o tocou de forma tão doce em sua pele, que atingiu sua alma e assim chegou ao seu coração. Continuaria a girar e a escrever longas narrativa sobre a Teoria do Universo, mas iremos parar no mesmo ponto, eu sou teu Sol e você é todo universo ao redor de mim.

Ouça nossa voz: Teoria do Universo.

7 comentários em “Teoria do universo

  1. Elisa, mais um texto seu que lemos sem respirar. Você traz uma dinâmica, um movimento ao texto que a gente vai junto e quando vê já está sem ar. É intenso, quente, forte!!!!

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