Carta ao tempo

Foto- Jesuana Sampaio

Jesuana Sampaio –

Uma amiga certa vez disse-me que tu és Deus. Vi sentido. Fiquei a pensar como eu poderia te imaginar.

Às vezes te penso como um ranzinza que de tão amargurado tenta nos apressar para chegar até o caminho da morte.

Às vezes te penso como jovem e inconsequente que quer viver a vida inesgotavelmente como se não acreditasse no amanhã, mas, gosto mesmo quando não te penso.

Quando não te sinto passar porque estou verdadeiramente vivendo. Gosto mesmo de não saber de ti ou de saber livre, nas asas do vento. Já te pensei vento, que só se sente e se sabe invisível.

Nunca te pensei nos ponteiros, nos tic tacs, nem nos calendários, isso é tão pouco. Tentativa de aprisionar o infinito.

Te sei infinito embora eu caminhe contigo abraçada rumo a morte.

Ouça nossa voz: Carta ao tempo

6 comentários em “Carta ao tempo

  1. Quando criança, também tinha a impressão de que o vento e o tempo eram as mesmas entidades… acredito que de certa forma o são, talvez não o mesmo corpo, mas entidades que atuam juntas: quando venta muda o tempo, sem vento, a impressão que o tempo não passa. Todas essas memórias voláteis brotam aos borbotões com essa narrativa malemolente como o tempo, que ora passa sem querer acabar… Lindo!

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  2. Iroko, é como o tempo se chama no meu Ilê!
    Iroko é quem rege, Iroko é uma arvore.
    Iroko, quem me faz equilibrar, entre tempo e horario…

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