Foi-se que corta

Juliana da Paz –

É tanta peleja

Pra ganhar o pão

Aquela gana de matar patrão

Que é só mais um trouxa

Numa roupa padrão

De moral frouxa

Debaixo dos panos

Ele não é mais

que qualquer humano

E o que somos?

Senão vulneráveis

Comidas de vermes

Pós retornáveis

Lutando ad eterno

Contra a morte

Que nem nos quer

Solta a própria sorte

Só por deboche

Ou por que queria

Provar que ser quente

É melhor que ser fria!

Ou só porque

feito um hamster

Vivo a correr

Nas voltas do mundo

Mil runs por segundo

Tentando entender

E apenas tentando

Não paro a luta

E vou caminhando…

Penso que ainda

Vale a pena

Montar uma tribo

Mesmo que pequena

De monte de carnes

Que serão comidas

Por incríveis vermes

Cegos, legíveis barrigas

E lá dentro deles

Riremos das brigas

Que aqui travamos

Pra estarmos vivas

Se foi pra ser

O que eu não sou

Se foi pra importar

Parâmetro de rima

Se foi engolir tudo que veio de baixo pra cima

Se foi pra dizer que Sou boa moça

Se foi pra viver a vida nas coxas,

Se foi Amar menos que podia

Se não foi viver corpo e alma agregado

Se foi pra viver sempre colonizado

 *Se foi* …

Ouça nossa voz: Foi-se que corta.

14 comentários em “Foi-se que corta

  1. Bom dia, Ju! Que triste constatação! São tantas às vezes que diante ou exercendo pseudopoderes”” ou que nome queira-se dar, o que somos senão “Senão vulneráveis Comidas de vermes”.

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      1. Atual, real…

        As batalhas travadas pelos invisíveis funcionários
        não reconhecidos como humanos,
        desumanizados,
        começam no dia anterior,
        onde é necessário buscar/encontrar coragem/força
        talvez, da palavra..
        esperança

        Que lá no fundo, sabesse, que
        quem muito ESPERA-DANÇA.

        É preciso ter coragem,
        sem parar
        como os boletos,
        que não se cansam de chegar…

        Curtido por 1 pessoa

  2. Fui arrastada a poesia pelas mãos de Augusto do Anjos, achei a coisa mais maravilhosa botar verme numa poesia. Hoje lendo-te lembrei-me desse amor antigo, quase esquecido. Tenho alguns poemas germinais
    Foi-se é quase uma balada…Gosto do ritmo, da escolha de imagens e da força contida na escolha de palavras que nos impõe vida e coragem goela abaixo.
    E eu que ando tão temerosa…tive um susto.
    Em deleite.

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  3. Adorei também a força dos versos e a imagem de que mesmo deglutidos estaríamos confabulando, como pragas que nunca descansam. É assim a vida de nós trabalhadores, sempre em luta!

    Curtido por 1 pessoa

  4. Sentido que dói, sonoridade que impulsiona.
    “Vivemos a correr nas voltas do mundo” e neste mesmo mundo, travamos e nos entregamos a tantas lutas e lutas. Entre idas e vindas, muito se foi, muito foi entregue a foice. E entre os cortes e os fortes, seguimos.

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