Mulinha

Carolina Tomoi


Eu sempre digo pra ela, eu não sei escrever. Mas ela insiste. Ela é insistente… docemente insistente. E quem pode dizer não a ela?!

Daí ela pediu uma leitura, eu fiz, foi fácil! Pra ela, é claro! Porque pra mim… ferrugens… seculares. Agora vem com essa. Escreve aí, como se fosse fácil, assim de uma tirada, de uma pulsada, como um tiro no coração Fuma um e escreve. Como se fosse assim tão fácil. E as crianças com os computadores, no celular nem pensar, a dor nas juntas já não permite digitar e segurar ao mesmo tempo. Pensa que é porque não sabe escrever que manda áudio? Pois é, ela me convenceu a tentar.

Mas dói, dói saber que as feridas serão cutucadas, cavucadas, acho que por isso tantas décadas (???será?) de silêncio. É difícil escrever enquanto se ouve notícias tão tristes. Meu coração pulsa tão forte e já não sei porquê?

Então acho que é como ela disse, mesmo, e deve ser por tanto se deliciar que quer dividir e me escolheu É chegada a hora um laboratório de Escrevivência Pense Não é pra ser um peso, mas um alívio Momento de libertação. Aí vai, então, amada, esse primeiro rabisco é pra ti. Tá bom assim?

12 comentários em “Mulinha

  1. Nossa Carol! Como é foi bom saber q vc se juntou a este time com essas mulheres tão inspiradoras. Você, ao dividir seu olhar e suas sensações do mundo nos acrescenta muito. Não saímos de uma conversa com você sem insights e com os olhinhos brilhando. Vou acompanhar com muito carinho! Bjs

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  2. Quando ela me mandou um áudio com a leitura desse texto, imaginem o quanto chorei… Esta mulher está no comando de minha forja há muito tempo, por vezes soprava meu fogo, engrossava meu magma, por outras me fazia espada inquebrantável de corte afiado.Travei tantas batalhas ao seu lado, nosso sangue e suor estão misturados desde então. Ela é minha Iansã. Eu sou sua espada. Quem poderá contra nós?

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  3. Dói sim, mas acalenta tanto te ler! Seu texto é sensível e forte! Faz sentir que virão coisas maravilhosas que podem estar contidas há muito. Gratidão!

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  4. Carol, eu sempre achei o nome Carol, nome doce, e nas minhas brincadeiras eu sempre me chamava Carol.
    Concretizo isso no seu texto, doçura, no texto, no audio, na virgula, no titulo em diminutivo rs.
    Obrigada por ele!

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  5. Escrever é um ato de coragem! Coragem para o mergulho, o confronto, a escuta, o encontro de si. E sorte a nossa se esbarrar no caminho com aqueles que serão nossos leitores e mentores também. Gratidão pela partilha! Cada palavra demonstrou a dor e a delícia do que é sentir demais e, principalmente, o parto de (re)nascer em palavras.

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  6. … ela parece reticências mas sabemos que não tem ponto final … é por do sol ao meio dia … chuva que cai pra cima … brisa que aquece e sabe viver no puro estado transicional … dessa oriente vem muito ocidente, boa escrita amiga!

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